sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Dear daddy

Doeu-me ver isto. Dói-me este lado menos feliz da sorte de nascer mulher. O tal medo de ter uma menina que sofra. O tal medo de ter um menino que faça sofrer. A certeza que vou dar o meu melhor para educar o melhor que sei e posso.

Partilhar e divulgar e falar sobre isto e mudar as mentalidades até à exaustão.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O medo

Que bom que era o tempo em que tinha medo do escuro, do fogo de artifício ( na minha infância chamavam-se foguetes ) e de cães ( que hoje adoro ). Durante muito tempo tive medo de não encontrar ninguém com quem partilhar a minha vida e acabar sozinha. Tinha medo da solidão. E isso (entre outras coisas ) levou-me a entrar e permanecer em relações pouco saudáveis, que não me faziam feliz. Imagino que à outra parte também não. Resolvi esse medo com o meu grande amigo Tempo e com outros grandes, enormes amigos que se revelaram quando eu precisei, como eu precisei. Descobri que sozinha sou feliz e com a cabeça e o coração no lugar, não poderei sentir solidão na minha companhia. E depois de encontrar maneira de ser feliz sozinha, só aceitei mudar de estado civil por alguém que merece essa honra. Done. Depois, as mortes com que tive que lidar. O medo do telefone tocar e o mundo mudar num segundo. Em fase de resolução, luta diária. Para alguém que teima em encontrar sempre o lado bom de tudo, encontrar o mau do bom devia ser considerado tempo perdido. Não sei se é. O facto é que o bom de termos pessoas queridas na nossa vida é que, de um momento para o outro, elas podem desaparecer. Medo. Pânico. Terror. Já chega. Já perdi tanta coisa, tanta gente. Por resolver, está visto. Não sei fazer lutos. Depois essa modernice do relógio biológico. A ideia de vir a ser mãe. E pimbas, surge o medo que algo de mau aconteça a um filho meu. E a maldade que há no mundo em que ele iria nascer. E a optimista que há em mim, e que gosto de pensar que sou, relembra que há tanto, tanto, tanto de bom para viver ( e porque é que te mataste, Rodrigo? ).  E o medo de faltar ao meu filho. O medo de não o conseguir proteger. O medo de ele não ser feliz. Em fases mais complicadas da minha vida, berrei muitas vezes EU NÃO PEDI PARA NASCER!!!! Não pedi para nascer, a ideia não foi minha e agora tenho que fazer isto e aquilo e aquel'outro porque se lembraram que eu havia de nascer. E tu, filho? Vais querer nascer? Vais gostar disto? O medo que ele não goste. E depois encontra-se aquela pessoa que nos ama, da maneira que nós gostamos e queremos e precisamos ( e que acaba de meter a chave à porta ) e nós já aprendemos que primeiro somos nós e depois são os outros. Tal e qual a publicidade do leite matinal, se eu não gostar de mim, quem gostará?. Mas depois vem o desejo de passar a vida todinha com aquela pessoa. E se ela vai embora? E se deixa de gostar? E o medo de perder as rédeas da nossa própria felicidade, perder o controlo da vida. Colocar nas mãos de outra pessoa o nosso coração. E se ele tropeça e o deixa cair? E se a vida acha que eu ainda não levei cabeçadas suficientes? E depois olhamos para trás e já demos tantos passos. O medo de terem sido os passos errados. Passos a menos, passos a mais, caminhos errados que não nos levam onde queremos ir. O medo de não saber onde queremos ir. O medo ainda maior de não saber como lá chegar. 

Foda-se. O medo. E eu até já tenho um cão. 

sábado, 5 de dezembro de 2015

Facto bastante antigo mas que só agora me lembrei de partilhar

Estive três dias em Londres. Sabem quantas gotas de chuva apanhei? Três, e já a caminho do metro que me levou ao comboio que me levou ao avião que me trouxe de volta. True story.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A grandeza de uma boa notícia e a pequenez de uma pessoa

Trabalho numa loja, numa das ruas mais movimentadas da minha cidade. A mais bonita. Fica em frente a uma escola secundária. Como trabalho no rés do chão e a porta é de vidro, ouço tudo o que se passa na rua. O que quero e o que não quero. Hoje então, ouvi algo que não esperava. Umas miúdas conversavam na rua sobre coisas de miúdas, ok tudo bem. Até que o assunto chama a minha atenção. 

Passou-se assim:
- Ya, tipo, já souberam? Agora os maricas podem adoptar uma criança. 
- Ai sim?
- Ya, já viste? Eu acho mal, que horror. O puto vai ficar com bué traumas. Vai ser gozado na escola. Ah como é que se passa o teu pai? António. E a tua mãe? António também. Tipo, não tem nada a ver...
- Ai é?


Nunca gostei muito de sermões e lições de moral, não acho que tenha o direito ou a autoridade de os dar a alguém. Mas não deu, não consegui ficar quieta. Sinto a nascer em mim a vontade de sair e ir ter com elas, falar com a criança que estava a debitar tamanhas alarvidades. Quando dou por mim lá estou lá fora. A conversa continua.

- Tipo, essas crianças vão ser bué gozadas na escola, não vão ser normais. 

As duas amigas que a estavam a ouvir ou não tinham opinião formada sobre o assunto ou não tinham coragem de a expressar. A conversa segue para outros assuntos e o tópico é a altura da menina que acha mau os "maricas" poderem adoptar. Queixa-se que é baixinha de mais, tem só um 1,47m, vejam lá que chatice. Elas apercebem-se da minha presença, mas continuam a conversa.

Despede-se das amigas e começa a ir à sua vidinha. E depois sai-me:

- Deixa lá, pode ser que ainda cresças mais um bocadinho. 

Ela ri-se para mim, até é simpática e educada. Começamos a falar e pergunto-lhe:

- Posso dizer-te uma coisa? Espero que não me leves a mal, mas vocês estavam a falar e aqui no meu trabalho ouve-se tudo o que se passa na rua. 

Peço-lhe que pense o que seria melhor, uma criança ter um pai António e outro pai António ou na escola perguntarem a essa mesma criança como se chamam os pais e ela responder que não sabe, porque vive num orfanato ou num lar. Ela responde que é chato porque vão gozar com ela. Sem a ofender a ela e à amiga, que entretanto não foi embora, porque se apercebeu que eu estava a falar com ela, pergunto se na escola dela ninguém goza com ninguém. E conto-lhe que quando eu andava na escola ( aqui senti-me velha, quando me ia saindo a frase " no meu tempo" ), havia muito poucos meninos pretos e os que havia eram gozados só por isso, pela cor da pele. A amiga que estava a ouvir é preta. Continuo com outro exemplo. Uma das minhas amigas era gorda e era gozada por isso. A menina de 1,47m de magra também não tem nada. Dou-lhe mais uns exemplos de situações actuais, nas quais elas se podem rever. Digo-lhe portanto que a possibilidade de uma criança ser gozada não serve. Vai ter uma família e isso é mais valioso. Depois peço-lhe para imaginar que uma das amigas dela até gosta de raparigas e um dia mais tarde quereria formar uma família e não a deixavam. Pergunto-lhe se acharia justo não o permitirem à amiga. Responde-me que a irmã dela vive com uma mulher e está feliz. 

Resumindo, concluindo e baralhando? Não faço ideia se o sermão que dei à miúda caiu em saco roto ou se lhe mudei a maneira de pensar sobre isto. 

Eu cá estou feliz porque, caso queira, a irmã desta miúda poderá construir uma família com quem quiser. Estou um bocadinho mais orgulhosa de Portugal.  





terça-feira, 17 de novembro de 2015

Afinal só precisava de começar a escrever

É tudo aquilo que escrevi e também é isto:


Na sexta feira senti, principalmente, tristeza. Muita tristeza. Por cada vida que se extinguiu prematuramente às mãos de gente cujas motivações não consigo entender e me recuso a entender. Mas é preciso fazer um esforço. Há, pelo menos, que tentar entender o que querem causar com estas acções, e fazer exactamente o contrário. Querem-nos aterrorizados, fechados em quatro paredes, com medo de fazer uma vida normal, apanhar um transporte para o trabalho, ir tomar um café, ouvir uma banda, viver com a despreocupação e leveza das pessoas normais? Respondamos "não". Querem fazer-nos crer que está em curso uma guerra civilizacional, em que somos nós contra eles, que temos de pegar em armas para sobreviver, que há que retaliar, e com as mesmas armas, a mesma violência, antes que eles nos exterminem? Gritemos "não". Querem despertar-nos o ódio pelo outro, pelo diferente, pelo estrangeiro? Mais um "não". Querem que tranquemos as portas a todos os que, também em desespero, nos procuram como abrigo? Simplesmente: não. Querem-nos despir da alegria, ver-nos sucumbir ao medo irracional, recusar o abraço, a empatia, a humanidade? Definitivamente, "não". Não ao ódio, à vingança, à desconfiança. Não, não serei refém voluntária desta gente. Não, mil vezes não. E não me tornarei o reflexo deles, mil vezes não.E, no meio dos relatos de horror, há algo que sobressai e sobreviverá: a solidariedade de gente anónima, o apoio de pessoas que abraçaram, consolaram, salvaram até outras pessoas. Aí sim, está a resposta. Tantos exemplos.Quanto aos outros, repito e subscrevo John Oliver: fuck these assholes.

Lido e secundado em Carências Efectivas.

E haverá mais para escrever. Assim encontre as palavras certas.