terça-feira, 18 de novembro de 2014

Há dias de marasmo. E depois já dias como o de hoje. 


Rafinha:  Sr X, já foi ao médico dos ouvidos?

Sr X: Oh menina, não queira lá saber.... então o sr dr. deu-me um tiro na orelha!!! Mas olhe que não me fiquei, fiz reclamação, a cadeira onde ele me sentou não era das boas... 

Aula de matemática

Na empresa onde trabalho, uma pessoa de 80 anos é considerada um jovenzinho que ainda está a crescer. A maior parte dos clientes é malta crescidinha, como eu gosto de os chamar. Por isso, o tema netos é muitas vezes o prato do dia. 

Hoje, na sala de espera:

Rafinha: Então, sra X, e netinhos, tem?

Sra X: Ai menina, tenho sim, quarto, são uns amores... ( mesmo que não fossem, ela diria que sim).

Rafinha: Ah que querida, avózinha babada.... E já são crescidinhos? 

Sra X: Olhe menina, o rapaz, o A., tem 9, vai fazer 10. E as meninas são 3. A B. tem 5, vai fazer 6, a C. tem 4, vai fazer 5 e a mais pequenina, a D., tem 2, vai fazer 3.




Se eu não soubesse já, hoje seria o dia de aprender a contar. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Há coisas que dói escrever

Não consigo sequer imaginar a dor que vive agora no coração daquele Pai e daquela Mãe. Mas tinha tanta, tanta, tanta, tanta fé na garra daquela menina que passei os últimos dias a imaginar o bolo de primeiro aniversário que iria fazer em honra dela. Um bolo de Margarida, claro. A menina nasceu num dia que para mim é muito especial, é o dia de aniversário da minha Mãe.  E pessoas que nascem nesse dia têm que ser pessoas de muita garra e muita força. A Margarida não resistiu aqui. Mas aquela mini pessoa deu-nos uma lição enorme. Numa altura em que toda ( quase ) toda a gente conta os trocos para chegar ao fim do mês, os pais conseguiram uma ajuda financeira incrível. A Margarida relembrou o bom que há no povo Português, a generosidade de que somos feitos, a bondade que troika nenhuma consegue fazer desaparecer. Por norma, tenho alergia a cliches, mas se eles existem, é por alguma razão. E aqui, ficou provado que a união faz de facto a força. Verdade que juntos não conseguimos salvar a Margarida. Aliás, dinheiro nenhum do mundo a conseguiria salvar. O nosso dinheiro serviu apenas para tirar um peso enormíssimo decima dos ombros daqueles pais, a quem era pedido que pagassem o bem mais precioso do mundo, a saúde. Não, o nosso dinheiro não a salvou. Mas a Margarida, na sua gigantesca pequenez ensinou-nos que só não conseguimos o que não queremos. Estou certa que se a vida dela dependesse exclusivamente de dinheiro, ele ia aparecer. tenho a certeza absoluta. Obrigada, Margarida, por teres inspirado o País a unir-se para te ajudar. Obrigada por, com o teu tamanhinho, teres feito nascer um coração colectivo tão grande. Descansa agora, pequenina. 


domingo, 9 de novembro de 2014